Associação Cultural Humaitá

Agbegbe fun ijosin ti orisá ati Umbanda
A Quaresma à luz da Páscoa

Compartilhamos com os irmãos este excelente texto de Dom Francisco Agamenilton Damascena, que nos trás ótima reflexão sobre este tempo. Sabemos que não compartilhamos da fé católica, mas temos fé em Jesus, o Cristo, e somos todos, antes de mais nada, seres humanos, independente dos rótulos. Segue o texto:

“Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15) é uma das palavras divina que acompanha o tempo quaresmal. Ela é uma exortação e uma provocação à liberdade dirigida a todas as pessoas. Nós, cristãos católicos, a fazemos ressoar em primeiro lugar para nós mesmos. Desta maneira, recordamo-nos que só em Deus encontramos salvação e vida feliz sem fim. Tomamos consciência que pecar é romper a aliança com Deus e, consequentemente, com as pessoas e a criação (cf. Gn 3). Deus é vida. Por isso, pecar é morrer. Converter-se é voltar para Deus. Portanto, converter-se é viver. Viver de modo humano é viver em comunhão ou em fraternidade.

Referindo-se à Quaresma como tempo litúrgico, as Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário nos dá a seguinte indicação: “o tempo da Quaresma visa preparar a celebração da Páscoa; a liturgia quaresmal, com efeito dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela comemoração do batismo e penitência” (n.27).

Falemos, então, da páscoa. Como palavra, “páscoa”, no seu sentido figurado, indica “saltar”, “passar”, perdoar; é passagem de uma situação para outra, da morte para a vida. A páscoa de Jesus, centro da fé cristã e do ano litúrgico, é a sua passagem da morte para a ressurreição. Pelo batismo nós participamos desta páscoa, ou seja, morremos para o pecado e renascemos para a vida em Cristo. A vida cristã é toda pascal. Nossos dias na terra são pascais: vivemos o contínuo esforço pessoal de renunciar o pecado e abraçar a graça santificante de Deus, morrer para o pecado e nascer para a Deus.

Deus permitiu novamente que a Quaresma e, provavelmente, a Páscoa sejam acompanhadas pela covid-19. Que provação! Vivamos estes dias com suas incertezas, angústias, medos e luto na perspectiva pascal. Atravessemos o vale da sombra e da morte firmes na fé e na esperança. A realidade da pandemia foi tocada pela Páscoa de Cristo. Por isso, “se com Cristo morremos, com Ele viveremos” (Rm 6,8); “tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33). Estes dias passarão e ficarão a vida e os valores do Reino de Deus mais estampados em nós, pois este é um dos frutos das provações.

Ajudam-nos a viver este tempo rumo à Páscoa os consagrados exercícios espirituais: oração, jejum e esmola ou obras de caridade. A oração para ouvir e falarmos com Deus. O jejum para o nosso fortalecimento espiritual. A esmola para se fazer próximo ao irmão.

Uma boa proposta de obra de caridade para este tempo é ser fraterno e dialogante. Neste sentido, convido-lhe a refletir e renovar sua fé no Evangelho: você sabe o que é dialogar? Você dialoga? Como você apresenta a verdade para a outra pessoa? O que fala mais forte em seu coração: a paz e a unidade ou a divisão e o ódio? Como você se coloca diante de quem pensa e vive diferente de seus princípios religiosos e morais? Como você trata as pessoas de outras igrejas cristãs? Você tem respeitado as pessoas em suas escolhas? Você tem condenado o pecador ou o pecado? Antes de escolher um jeito de viver e compreender o mundo, somos pessoas humanas, criadas por Deus a sua imagem e semelhança. Jesus Cristo, por sua morte e ressurreição, fez de nós filhos de Deus Pai. Por isso, somos todos irmãos. Isso antecede qualquer adjetivo predicado à pessoa humana.

Assim, percorrendo o caminho quaresmal somos “pascalizados” por Jesus Cristo que nos torna, pelo poder do Espírito Santo, filhos amados do Pai-Nosso. Acompanha-nos neste itinerário São José, protetor da Santa Igreja, com a sua intercessão.

Dom Francisco Agamenilton Damascena
Bispo de Rubiataba-Mozarlândia – GO

Fonte: CNBB-Reginal Centro Oeste

1 comentário em “A Quaresma à luz da Páscoa

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