Associação Cultural Humaitá

Agbegbe fun ijosin ti orisá ati Umbanda

Ja ouvi muitas vezes do Pai Preto – aquele fio do Veio João Inácio, que é todo pintado e que voltou a ficar careca – que sem os Exus, não existiria a Umbanda.

Mas lendo hoje um papo de preto velho que estava no nosso reino, me dei conta de uma outra afirmação, igualmente verdadeira: sem aparelhos, também não existe umbanda!

Porque se do outro lado do Véu de Izis, são os Exus os responsáveis pela mecânica filosófica e ritualística da Umbanda, do lado de cá, sem qualquer sombra de dúvidas, são os médiuns de passagem, os cavalos, os aparelhos que recebem o espírito.

Ou será que esta criança umbandista está enganada???

Ahhhh nao, não estou? Querem ver?

Partindo do pressuposto de que os humanos, em seu atual estágio evolutivo espiritual, PRECISAM VER PRA CRER, na hipótese de uma sessão não ter incorporação de nenhuma de suas entidades no terreiro, terá a sessão alcançado os seus objetivos?

Nao…

Sei que muitos podem não concordar comigo, mas lembrem que a assistência precisa ver pra crer e que um dos núcleos duros das religiões espíritas AINDA É A INCORPORAÇÃO…

Bom, basta! Agora vou direto ao ponto do título: a solidão de um aparelho durante uma sessão e durante sua vida!

Eu sei que as vezes viajo nas conversas e nos textos! Mas esta foi, talvez, a minha viajem mais bacana, porque eu nunca tinha me dado conta de que, numa sessão, que é o momento mais esperado pelos umbandistas e pela assistência, que é a “grande festa” para receber a visita dos Enviados de Jesus, os únicos que não participam conscientemente de toda a cerimônia, são os médiuns de passagens, os aparelhos das entidades…

Iniciada a sessão, tocado o tambor, com a magia no ar, vem ao nosso reino para trabalhar as entidades. E para trabalhar efetivamente aqui deste lado, precisam dos corpos mediúnicos dos aparelhos! E assim, apagam os médiuns, e lá se vão eles para dentro de si, e não para fora, o trabalhador.

De certa forma, o aparelho fica sozinho, em silêncio, servindo sua entidade, caridosamente. Sozinho, em silêncio, não está com seus colegas. Sozinho, em silêncio, aguarda diligentemente o que vai passar por si mesmo! Sozinho, em silêncio, entrega seu corpo e sua energia, como se entregasse sua casa…

Sozinho, em silêncio, vê passar por si irmãos desconhecidos, doentes de alma e de corpo, que deixam sem querer, um pouco de si, para si! Sozinho, em silêncio, sente as tristezas e os sofrimentos, que não são suas, mas que passam a fazer parte, caridosamente!

Sozinho, em silêncio, vê seus irmãos atendidos! Sozinho, em silêncio, sem qualquer explicação, volta ao nosso reino dos vivos, sem qualquer agradecimento ou palmas…

Sozinho, em silêncio, acorda e vê a satisfação de todos com as visitas, os atendimentos e as conversas. E assim vai embora para sua vida nas ruas…

Sozinho, em silêncio, quem atende depois o atendente? Quem depois fala com o aparelho? Quem depois atende seu sofrimento? Seus medos? Porque depois do silêncio, o aparelho volta a ter nome: Mãe Andreia, Pai Michael, Seu Luiz, Mãe Kelly, Tata Helboy, Prof. Solange, Mãe Renata, etc, etc…

Assim, que Pai Xangô e seu Caboclo Sete Raios guarde estes Caciques e trabalhadores com todo o Amor de Jesus Cristo, orientando pessoalmente cada um, sempre sozinho e no seu silencio!

Sarava a todos e que Jesus esteja em seus corações!

Jose Augusto da Cunha Meira.

2 comentários sobre “A solidão de um aparelho!

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