Associação Cultural Humaitá

Agbegbe fun ijosin ti orisá ati Umbanda
Ogum e a batalha do Humaitá

Vamos conhecer um pouco sobre a palavra Humaitá? Em algumas postagens vamos esclarecer um pouco sobre o nome que batiza nossa instituição.

A postagem a seguir tem como fonte o blog Fio de Cantos:

Quando acabou cativeiro, nego velho Toríbio não sorriu. Ele carregava os cabelos brancos e a recordação de um amigo morto em seus braços na batalha do Humaitá, o Zé Puçá. Negos de paz, ainda que filhos de guerreiros de Angola, os dois foram mandados pelo sinhô pra batalha. Houve sangue pra todo lado, aquela gente pobre do Paraguai morrendo na mão daquela gente pobre brasileira. O que fazer, não é? Deram carga de pólvora. Muita gente mataram. Coisa triste mesmo de ver.

Não nascia dia sobre a terra sem que Toríbio salvasse seu pai Ogum e pedisse a benção de Yemanjá. Ali, tão longe do mar, era Yemanjá que ele chamava, quando a neblina da madrugada e a fumaça da guerra cegavam seus olhos e ele pensava que já era hora de entregar sua alma ao fundo das águas salgadas. Mas Ogum lhe dava forças para não cair. Trazia no peito uma medalhinha de ferro com a imagem de Nossa Senhora, a mãe boa da gente. O ferro era de Ogum, a imagem desenhada na medalha era da mãe Senhora de Aparecida, a Maria preta.

Humaitá é uma palavra de origem indígena que quer dizer “a pedra agora é negra”. Era o nome de uma fortaleza paraguaia, derrubada pelos brasileiros durante a Guerra do Paraguai, em 1868. Grande parte dos combatentes eram escravos negros. Conta-se que muitos haviam substituído os filhos dos seus donos no alistamento para o conflito. Quando retornavam, com o corpo mutilado pela lembrança e pela dor, esses escravos ganhavam a alforria de seus senhores e podiam gozar da liberdade. Porém, como esquecer as imagens de morte, os corpos decepados, as poças de sangue nos charcos paraguaios?

Esse combate foi muito marcante para o imaginário daquelas pessoas, tanto que o campo de batalha do Humaitá passou a ser visto como símbolo de vitória, lugar de vencer demandas e desafios. Afinal, aquela guerra não era deles, mas ainda assim eles combateram de peito aberto, sob a proteção de Ogum.

É como diz esse lindo ponto de exaltação de Ogum:

Nos campos do Humaitá
Ogum guerreou e venceu
Sua divisa de General
Foi São José e Maria quem lhe deu

A palavra entrou para as cantigas de umbanda. Assumiu outro sentido. Passou a ser um lugar sagrado, onde mora Ogum, porque havia sido uma terra de penas e de dor, mas também onde se provara a fé daquela gente. O nome indígena do lugar se deve à presença massiva de descendentes de índios guaranis na região.

Há um lindo ponto de Beira-Mar entoado por Clementina de Jesus que também faz referência ao Humaitá. Lá Ogum jurou sua bandeira, deu mostras de sua fidelidade e de que nunca nos abandona:

Beira-Mar auê, Beira-mar
Beira-Mar auê, Beira-mar

Ogum já jurou bandeira
Na porta do Humaitá
Ogum já venceu demanda
Vamos todos sarava
Salve Ogum Beira-Mar

Portanto, Humaitá tem tudo a ver com a umbanda. É um lugar de nome indígena para onde os negros escravos foram mandados a guerrear. Traz em si a força dos caboclos e dos pretos velhos. Mas acima de tudo, é uma terra onde reina Ogum, o combatente, o guerreiro, o vitorioso. Ogunhê!

Luiz Felipe Stevanim

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